"Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol, quando depois do sol não vem mais nada..."
David Mourão-Ferreira
Laços e Abraços
O que fazer com essa ternura amarrotada
logo após o amanhecer de um novo dia,
sob a temperatura fria e talvez desavisada
do meu cachecol sem a tua galhardia.
Há sobras de carinhos na nossa moradia
insinuando que o amor quentinho sonha
nossos abraços envoltos de desejo e ousadia
entre o ardor que por instantes proponha:
Que eu encontre a sede da tua boca calorosa
feito sol a repousar sobre a geada do inverno
aplacando os silêncios da nossa casa amorosa

Minha querida amiga Vilma,
ResponderExcluirReconhecer-me em teus versos de "ternura amarrotada" representa o respeito, o carinho e a intimidade da noite anterior, deixando para trás o simbolismo da cama desarrumada ou das roupas espalhadas, criando um contraste entre a delicadeza do amor e a dor da solidão.
Meu "cachecol", uma peça que antes me aquecia e protegia, agora está faltando; é a ausência da luz da pessoa amada que um dia decidiu se tornar uma estrela, e agora minhas noites se enchem de saudade enquanto contemplo o Céu.
Este poema me faz lembrar o poeta português David Mourão-Ferreira, que diz: "Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada, da frescura que vem depois do sol, quando depois do sol não vem mais nada..." - ambos são tocantes e sinceros, minha querida poeta.
Beijos!!!
Olá querido amigo Douglas,
ExcluirSim, e eu que gosto muito de uma bela metáfora me inspirei em “ ternura amarrotada” e fiz essa releitura poética sobre ausência e saudade. Ela é uma das expressões que me fazem sentir o tamanho do vazio real. Transformá-la em meus sentires foi irresistível.
Amigo, citarei acima do meu soneto o verso que aqui deixaste do magnifico poeta português David Mourão-Ferreira.
E ainda que a poesia que nos enleve ela também nos rasga a alma.
Gratíssima pela presença e sensível comentário.
Beijos !
Muito belo Vilma. Deliciosamente sensual.
ResponderExcluirSentem-se as palavras deslizar sobre a pele como ardentes carícias...
a ternura amarrotada vai florescer!...
Tem uma linda noite.
Beijos...
Olá querido poeta Albino,
ExcluirGrata pela vinda e sensível comentário.
Os bons ventos trazem as estações para nos ver reflorir !
Tenha um ótimo final de semana.
Beijos!!