
Fernando Pessoa

Poesia é Encontro
Fomos alento em noites questionadoras.
E atravessamos as cores de cada estação,
parte de um pequeno bilhete escrito à mão:
somos sonhos de criações inspiradoras.
Talvez poetas:
o bálsamo para sanar antigas feridas,
um barco que almeja a linha do horizonte
com punhos e remos, desafiando
as correntezas do tempo.
Aprendemos que as palavras
não nascem apenas do traço.
Elas brotam das ausências,
das janelas abertas para o vento,
do perfume da terra depois da chuva,
das cartas incompletas,
das paixões avassaladoras,
e dos silêncios que insistem em permanecer.
Cada verso se fez um abrigo,
cada metáfora, uma ponte
lançada sobre os abismos
que a vida insistia em cavar.
Houve dias
em que bastava uma única palavra
para devolver sentido ao mundo.
Assim descobrimos
que a poesia também é encontro.
E encontram-se porque reconhecem
um no outro a mesma sede de infinito,
a mesma delicada esperança
de transformar a vida em permanência.
E a poesia mora no espaço invisível,
na pausa entre duas respirações,
na confiança de entregar um verso
sem medo de ser compreendido.
Vilma Orzari Piva
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