sábado, 8 de agosto de 2026

Poesia é Encontro


Fernando Pessoa

Poesia é Encontro

Fomos alento em  noites questionadoras.
E atravessamos as cores de cada estação,
parte de um pequeno bilhete escrito à mão:
somos sonhos de criações inspiradoras.

Talvez poetas:
o bálsamo para sanar antigas feridas,
um barco que almeja a linha do horizonte
com punhos e remos, desafiando
as correntezas do tempo.

Aprendemos que as palavras
não nascem apenas do traço.
Elas brotam das ausências,
das janelas abertas para o vento,
do perfume da terra depois da chuva,
das cartas incompletas,
das paixões avassaladoras,
e dos silêncios que insistem em permanecer.

Cada verso se fez um abrigo,
cada metáfora, uma ponte
lançada sobre os abismos
que a vida insistia em cavar.

Houve dias
em que bastava uma única palavra
para devolver sentido ao mundo.
Assim descobrimos
que a poesia também é encontro.

E encontram-se porque reconhecem
um no outro a mesma sede de infinito,
a mesma delicada esperança 
de transformar a vida em permanência.

E a poesia mora no espaço invisível,
na pausa entre duas respirações,
na confiança de entregar um verso
sem medo de ser compreendido.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest



terça-feira, 28 de julho de 2026

A Morada da Ausência

A Morada da Ausência

A noite chegou silente, encobrindo o dia
que  mansamente se despedia do sol;
Aos poucos uma estrela nascia radiosa
com seu raio de luz, tal e qual um farol.

A lua, senhora de fases, surgia crescente
na noite já salpicada de algumas estrelas
e no infinito iluminado  tudo era silencio
sem tua voz acordando meu aliciamento.

Talvez eu ainda saiba dizer dessa solidão
olhando a noite calada, desfilando vultos
pelas calçadas, traduzindo o que se cala 
no silêncio da dor pela flecha da distância.

Permaneço imóvel diante da alta noite,
e o tempo atravessa meus pensamentos
como um rio que desconhece o retorno.

Há ausências que aprendem a morar na alma.
Não fazem ruído, caminham ao nosso lado,
com a delicadeza terna das sombras 
e a permanência da lua sobre o horizonte.

Porque és luz discreta, como a das estrelas,
que continua existindo mesmo quando
os olhos já não conseguem alcançá-la.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Ainda Ontem


Ainda Ontem

Ainda ontem ouvi tua voz trazida pelo vento,
e não era sonho: era uma chave de versos,
ardendo em teu sangue como um lamento,
marcado pelas sombras de tons adversos.

Confessei à lua esse instante mágico
de cada palavra seguindo em tua direção,
sob o signo do meu amor, tão magnético,
tecido em fios de intensa emoção.

És todo presença, jamais esquecido,
o motivo das rimas e o meu pulsar,
o mel e o sal em mim reunidos.

E do meu beijo saudoso, todo atrevido,
entrego meus versos para te beijar,
intensa na coragem dos destemidos.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Vento da Manhã



Vento da Manhã

O´vento da manhã, dá-me teus ares,
as belas fontes das águas claras,
o doce aroma do mel dos pomares,
e a dança das folhagens tão raras.

Dá - me teu frescor ao brincares
com meus cabelos logo de manhã,
e acorda em meu rosto dias solares
com balanços das  flores guardiãs.

O´vento da manhã, dá- me teus cantares
de pássaro saudoso na leveza do teu afã
e traga-me a ternura dos jardins de altares
pelos arvoredos na aurora da manhã.

O'vento da manhã, leva meus pesares,
semeia esperança em meu amanhã;
veste minha alma com teus luares
e faz do meu sonho eterna manhã.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 12 de julho de 2026

Tintas do Silêncio


Tintas do Silêncio

O silencio da noite veio colorir teu nome
com tintas que não desbotaram no tempo.
Elas estavam à sombra, para que eu retome
o pulsar do coração, pois ainda há tempo.

À margem das cores um quadro se esboçou
nas paredes da memória tingindo o querer
entre rabiscos e contornos que nos abraçou
numa saudade que insiste em nos envolver.

E descobri que o amor jamais se apaga inteiro,
quando a memória lhe preserva cada matiz,
feito uma tela que resiste ao tempo derradeiro.

Por isso volto a pintar teus gestos em meu ser,
em aquarelas de amor e com essa força motriz
dos amores que nasceram para permanecer.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 28 de junho de 2026

Haicai - Inverno I



 INVERNO I

Letras emudecem
nas mãos da escrevente.
É frio invernal.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

terça-feira, 23 de junho de 2026

Na Plenitude do Instante

" O amor é grande mas cabe num breve espaço de beijar”
Carlos Drummond de Andrade


Na Plenitude do Instante


No beijo em que me beijas
Num instante pleno
Sou o sentido desmedido
Nas carícias dos teus lábios.

Sou liberta em teu exílio
De venturas entrelaçadas
Ao infinito da tua boca
Úmida de desejos.

És amor transcendente
Num paraíso de línguas
A levitar-me pelo mundo
Moldada em teu abrigo.

Intensa no teu espaço
Expandida permaneço,
Densa.... a beijar-te
Sem que o tempo
Jamais nos esqueça....

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®


Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 14 de junho de 2026

Rumores de Nós




Rumores de Nós

Enquanto tu percorres teus rumores
um tanto de mim arde a cada passo
do teu gesto caminhando nas cores
e dores dos nossos pedaços suspensos.

Em ti vislumbro esse mundo visionário,
poético, sedutor da razão e porquês
acompanhado de busca e itinerário
nas afinidades que o destino nos fez.

Talvez, nós sejamos sonhos embevecidos
procurando nas ausências o sentido da chegada,
entre os espasmos do desejo e da emoção.

Pois reconheço em teu olhar as mesmas fontes
onde bebo o melhor motivo dos dias por vir,
e a certeza que os sentires atravessam pontes.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração /Imagem Pinterest

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Laços e Abraços


"Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol, quando depois do sol não vem mais nada..."
                                                  David Mourão-Ferreira


Laços e Abraços

O que fazer com essa ternura amarrotada
logo após o amanhecer de um novo dia,
sob a temperatura fria e talvez desavisada
do meu cachecol sem a tua galhardia.

Há sobras de carinhos na nossa moradia
insinuando que o amor quentinho sonha
nossos abraços envoltos de desejo e ousadia
entre o ardor que por instantes proponha:

Que eu encontre a sede da tua boca calorosa
feito sol a repousar sobre a geada do inverno
aplacando os silêncios da nossa casa amorosa

E então recolha em teus braços minha espera,
como quem encontra a estação há muito adormecida,
fazendo florescer os laços que em nós ainda impera.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração /Imagem Pinterest

terça-feira, 2 de junho de 2026

Pretexto para a Lua


Pretexto para a Lua


Eu em ti é o mais belo pretexto
para a lua brilhar de contentamento
e clarear a noite do nosso contexto
num doce suspiro de puro alento.

E a noite se faz amena, sonhadora,
como se fosse a primeira luz
de um clarão a vislumbrar a aurora
entre estrelas que no céu nos reluz.

E tu és o maduro pensamento e a razão
refletindo em meu ser como estrela consentida,
harmonizando meus passos em acordes da paixão.

Por isso a noite se veste de esperança cativa
e a lua amplia a nossa história entrelaçada,
como néctar do amor em reflexos de vida.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

.Ilustração /Imagem Pinterest