quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Decifro



Decifro

Assim como o dia desperta sob o sol da manhã,
minhas pálpebras se abrem para um novo olhar
estendido à beira da emoção, nessa hora guardiã
das claridades, transluzindo desejos de te amar.

E, por um instante, teu corpo me incendeia,
como um segredo que insiste em florescer
na sensação de que tua pele provoca e tateia
meus silêncios crescentes na sede de te ter.

E decifro na pupila desse meu amanhecer
teu código de amor,  junto a face do meu dia 
e a vontade de teus lábios me faz estremecer.

Minhas mãos te imaginam, ávidas por percorrer
os caminhos da tua pele, em doce ousadia,
até que a distância se renda ao nosso querer.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®


 Ilustração / Imagem Pinterest


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Teus Enredos




Teus Enredos

Preparas um ritual no teu corpo macio
E em tuas mãos tatuagens de labirintos
Para imprimir nas minhas pernas o cio
Da paixão sobre minha pele em arrepios.

E o verso umedece a boca do poema
Sobre a mesa desejosa de raro vinho
Saboreias a doce taça tão suprema
Sobre meus seios, teu adorável ninho.

Teu corpo é verso ardendo em minha pele,
E o amor, tinta viva entre meus dedos,
Que, loucos por ti, deslizam e impelem

Ao prazer de me ter sobre teus enredos,
Enquanto a paixão, em meu corpo, se revele
Na sede e no torpor dos desejos tórridos.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®


 Ilustração / Imagem Pinterest

sábado, 10 de outubro de 2026

Um Fio de Esperança



Um Fio de Esperança

Ao redor é silêncio e nada se move
Apenas o pulsar teima em se debater
Num fio de vida que tanto me comove
Na esperança de um dia poder te ver.

O tempo se arrasta por horas vazias,
E a noite se alonga sem nada dizer,
Enquanto recolho poesias tardias
Insisto comigo em não te esquecer.

Há sonhos calados no fundo da alma,
Palavras suspensas que não pude dizer,
E essa saudade que, embora tão calma,
Faz meu coração por ti estremecer.

E assim sou eu, entre a espera e o desejo,
Cultivando o impossível de te reencontrar,
Como quem guarda no calor de um beijo
A promessa de um dia voltar a amar.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®


 Ilustração / Imagem Pinterest


sábado, 26 de setembro de 2026

Pôr Do Sol



Pôr do Sol

O sol, ao se pôr, incendia o infinito
avermelhando o céu num flagrante
ardoroso, em tom raiado, bonito,
entre o azul e as nuvens delirantes.

E a tarde se acalora entre os mormaços
das ruas, adentrando os vãos das portas,
janelas, paredes e também os terraços
com suas jardineiras de flores abertas.

E o calor dessa tarde, ardente e lento,
vem despertar em mim aquele ardor,
trazendo o teu púrpuro sentimento.

E enquanto o sol se entrega ao meu rubor,
deixo que o desejo, em seu movimento,
me aqueça ao recordar o nosso clamor.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®


 Ilustração / Imagem Pinterest

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Perfeição - Haicai


Perfeição

Pura perfeição
só em Deus e numa flor.
Amor Perfeito!


Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®


Ilustração /Imagem Pinterest

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Teu Corpo - Rondel XLVIII



 Teu Corpo 
* Rondel XLVIII

Aprendi a tocar teu corpo perfumado
Ao me envolver em teus braços seguros,
Meu porto firme, meu anjo alado,
De traços másculos, homem maduro.

Adoro o vício do teu tórax marcado
Em delírios na pele que inauguro
Teu corpo inteiro em meu beijo molhado
Ao me envolver em teus braços seguros.

És essência do amor. Em ti me aventuro,
Apaixonadamente em teu paraíso revelado
Que me afaga contente, e na tua voz capturo
Delícias ardentes, enquanto nos amamos, e juro:
- Aprendi a tocar teu corpo perfumado!


Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®

*Rondel XLVIII / Releitura da poesia - Tua Anatomia -
Acervo Poético / Ano 2000


 Ilustração / Imagem Pinterest

sábado, 12 de setembro de 2026

Silêncios, para onde eles vão?

Silêncios, para onde eles vão?

Há silêncios que não gostam de movimentos
preferem permanecer quietos, sem ruídos,
tal qual a penumbra da lua em seus lamentos,
eclipsada pelo sol, com seus halos retraídos.

Também há silêncios apegados às leves viagens
nas asas das borboletas que silenciosamente
pousam nos jardins para ver as passagens
das estações, no eclodir de uma semente.

Mas para onde vão os silêncios quando somem,
sem deixar avisos e sem qualquer barulho,
ganham distâncias e mansamente fogem
sem cortes, no pensamento em que mergulho?

Talvez eles saibam que não há como deter
a vontade de dizer o que se instala na emoção,
por isso se alojam ou se diluem pelo éter,
buscando silenciar sua própria razão.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Chuva de Poésis



Chuva de Poésis

A chuva que caia nas calçadas do dia
Também molhava meu rosto na janela
Como se fora tempestade de poesia
Sonhando com tua poésis sentinela.

Minhas mãos tremiam a cada clarão
Que do céu descia rasgando sombras
De solidão e quietudes em pura alusão
À nostalgia do poeta e suas penumbras.

E enquanto as águas lavavam incertezas
Em meio às dobras dos medos de amar
Vou seguir como essa chuva de proezas

Gota à gota, esse meu chão fertilizar
Com vida, amor próprio e inteirezas,
Mãos firmes na coragem de recomeçar.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest


Em tempo:

Poésis: sugere o ato de criar, de fazer nascer, de transformar experiência em linguagem.

— talvez por isso a palavra Poésis me leva para as “amplitudes da poesia”.


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Aroma de Café




AROMA DE CAFÉ

De manhã um cafezinho
aquece já ao acordar,
de aroma forte e quentinho
faz a gente se levantar.

No ar fica um doce cheirinho
anunciando o dia despertar,
na mesa o café pretinho
fumegando a te convidar.

Há sabores e há segredos
a cada gole no seu paladar
bebida que se toma  cedo
antes mesmo do sol raiar.

Mais que bebida, companheiro,
esteja só ou com amigos 
em cada xícara um roteiro
feito um abraço e abrigo.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Talvez


Talvez

Não sei se ainda sou o que fui
Sonhando amor em teus braços,
Sentindo toda paixão que flui
Das tuas mãos ao meu encalço.

Não sei se o mel da minha boca
Ainda adoça tua língua de desejo
E afasta essa nostalgia quase louca
Da nossa saliva tesa e sem pejo.

O que sei é que respiro em ti
Todo amor que puder viver,
Aquele que um dia não resisti

Num tremor de arrepio e querer
Em teu peito, quando me despi,
Para amar-te com todo meu prazer.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest