
Silêncios, para onde eles vão?
Há silêncios que não gostam de movimentos
preferem permanecer quietos, sem ruídos,
tal qual a penumbra da lua em seus lamentos,
eclipsada pelo sol, com seus halos retraídos.
Também há silêncios apegados às leves viagens
nas asas das borboletas que silenciosamente
pousam nos jardins para ver as passagens
das estações, no eclodir de uma semente.
Mas para onde vão os silêncios quando somem,
sem deixar avisos e sem qualquer barulho,
ganham distâncias e mansamente fogem
sem cortes, no pensamento em que mergulho?
Talvez eles saibam que não há como deter
a vontade de dizer o que se instala na emoção,
por isso se alojam ou se diluem pelo éter,
buscando silenciar sua própria razão.
Vilma Orzari Piva
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