
A Linguagem da Ausência
A noite chegou silente, encobrindo o dia
que mansamente se despedia do sol;
Aos poucos uma estrela nascia radiosa
com seu raio de luz, tal e qual um farol.
A lua, senhora de fases, surgia crescente
na noite já salpicada de algumas estrelas
e no infinito iluminado tudo era silencio
sem tua voz acordando meu aliciamento.
Talvez eu ainda saiba dizer dessa solidão
olhando a noite calada, desfilando vultos
pelas calçadas, traduzindo o que se cala
no silêncio da dor pela flecha da distância.
Permaneço imóvel diante da alta noite,
e o tempo atravessa meus pensamentos
como um rio que desconhece o retorno.
Há ausências que aprendem a morar na alma.
Não fazem ruído, caminham ao nosso lado,
com a delicadeza terna das sombras
e a permanência da lua sobre o horizonte.
Porque és luz discreta, como a das estrelas,
que continua existindo mesmo quando
os olhos já não conseguem alcançá-la.
Vilma Orzari Piva
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