quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Talvez


Talvez

Não sei se ainda sou o que fui
Sonhando amor em teus braços,
Sentindo toda paixão que flui
Das tuas mãos ao meu encalço.

Não sei se o mel da minha boca
Ainda adoça tua língua de desejo
E afasta essa nostalgia quase louca
Da nossa saliva tesa e sem pejo.

O que sei é que respiro em ti
Todo amor que puder viver,
Aquele que um dia não resisti

Num tremor de arrepio e querer
Em teu peito, quando me despi,
Para amar-te com todo meu prazer.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest


sábado, 8 de agosto de 2026

Poesia é Encontro


Fernando Pessoa

Poesia é Encontro

Fomos alento em  noites questionadoras.
E atravessamos as cores de cada estação,
parte de um pequeno bilhete escrito à mão:
somos sonhos de criações inspiradoras.

Talvez poetas:
o bálsamo para sanar antigas feridas,
um barco que almeja a linha do horizonte
com punhos e remos, desafiando
as correntezas do tempo.

Aprendemos que as palavras
não nascem apenas do traço.
Elas brotam das ausências,
das janelas abertas para o vento,
do perfume da terra depois da chuva,
das cartas incompletas,
das paixões avassaladoras,
e dos silêncios que insistem em permanecer.

Cada verso se fez um abrigo,
cada metáfora, uma ponte
lançada sobre os abismos
que a vida insistia em cavar.

Houve dias
em que bastava uma única palavra
para devolver sentido ao mundo.
Assim descobrimos
que a poesia também é encontro.

E encontram-se porque reconhecem
um no outro a mesma sede de infinito,
a mesma delicada esperança 
de transformar a vida em permanência.

E a poesia mora no espaço invisível,
na pausa entre duas respirações,
na confiança de entregar um verso
sem medo de ser compreendido.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest



terça-feira, 28 de julho de 2026

A Morada da Ausência

A Morada da Ausência

A noite chegou silente, encobrindo o dia
que  mansamente se despedia do sol;
Aos poucos uma estrela nascia radiosa
com seu raio de luz, tal e qual um farol.

A lua, senhora de fases, surgia crescente
na noite já salpicada de algumas estrelas
e no infinito iluminado  tudo era silencio
sem tua voz acordando meu aliciamento.

Talvez eu ainda saiba dizer dessa solidão
olhando a noite calada, desfilando vultos
pelas calçadas, traduzindo o que se cala 
no silêncio da dor pela flecha da distância.

Permaneço imóvel diante da alta noite,
e o tempo atravessa meus pensamentos
como um rio que desconhece o retorno.

Há ausências que aprendem a morar na alma.
Não fazem ruído, caminham ao nosso lado,
com a delicadeza terna das sombras 
e a permanência da lua sobre o horizonte.

Porque és luz discreta, como a das estrelas,
que continua existindo mesmo quando
os olhos já não conseguem alcançá-la.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Ainda Ontem


Ainda Ontem

Ainda ontem ouvi tua voz trazida pelo vento,
e não era sonho: era uma chave de versos,
ardendo em teu sangue como um lamento,
marcado pelas sombras de tons adversos.

Confessei à lua esse instante mágico
de cada palavra seguindo em tua direção,
sob o signo do meu amor, tão magnético,
tecido em fios de intensa emoção.

És todo presença, jamais esquecido,
o motivo das rimas e o meu pulsar,
o mel e o sal em mim reunidos.

E do meu beijo saudoso, todo atrevido,
entrego meus versos para te beijar,
intensa na coragem dos destemidos.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Vento da Manhã



Vento da Manhã

O´vento da manhã, dá-me teus ares,
as belas fontes das águas claras,
o doce aroma do mel dos pomares,
e a dança das folhagens tão raras.

Dá - me teu frescor ao brincares
com meus cabelos logo de manhã,
e acorda em meu rosto dias solares
com balanços das  flores guardiãs.

O´vento da manhã, dá- me teus cantares
de pássaro saudoso na leveza do teu afã
e traga-me a ternura dos jardins de altares
pelos arvoredos na aurora da manhã.

O'vento da manhã, leva meus pesares,
semeia esperança em meu amanhã;
veste minha alma com teus luares
e faz do meu sonho eterna manhã.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 12 de julho de 2026

Tintas do Silêncio


Tintas do Silêncio

O silencio da noite veio colorir teu nome
com tintas que não desbotaram no tempo.
Elas estavam à sombra, para que eu retome
o pulsar do coração, pois ainda há tempo.

À margem das cores um quadro se esboçou
nas paredes da memória tingindo o querer
entre rabiscos e contornos que nos abraçou
numa saudade que insiste em nos envolver.

E descobri que o amor jamais se apaga inteiro,
quando a memória lhe preserva cada matiz,
feito uma tela que resiste ao tempo derradeiro.

Por isso volto a pintar teus gestos em meu ser,
em aquarelas de amor e com essa força motriz
dos amores que nasceram para permanecer.

Vilma Orzari Piva
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Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 28 de junho de 2026

Haicai - Inverno I



 INVERNO I

Letras emudecem
nas mãos da escrevente.
É frio invernal.


Vilma Piva
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terça-feira, 23 de junho de 2026

Na Plenitude do Instante

" O amor é grande mas cabe num breve espaço de beijar”
Carlos Drummond de Andrade


Na Plenitude do Instante


No beijo em que me beijas
Num instante pleno
Sou o sentido desmedido
Nas carícias dos teus lábios.

Sou liberta em teu exílio
De venturas entrelaçadas
Ao infinito da tua boca
Úmida de desejos.

És amor transcendente
Num paraíso de línguas
A levitar-me pelo mundo
Moldada em teu abrigo.

Intensa no teu espaço
Expandida permaneço,
Densa.... a beijar-te
Sem que o tempo
Jamais nos esqueça....

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®


Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 14 de junho de 2026

Rumores de Nós




Rumores de Nós

Enquanto tu percorres teus rumores
um tanto de mim arde a cada passo
do teu gesto caminhando nas cores
e dores dos nossos pedaços suspensos.

Em ti vislumbro esse mundo visionário,
poético, sedutor da razão e porquês
acompanhado de busca e itinerário
nas afinidades que o destino nos fez.

Talvez, nós sejamos sonhos embevecidos
procurando nas ausências o sentido da chegada,
entre os espasmos do desejo e da emoção.

Pois reconheço em teu olhar as mesmas fontes
onde bebo o melhor motivo dos dias por vir,
e a certeza que os sentires atravessam pontes.

Vilma Orzari Piva
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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Laços e Abraços


"Desvio dos teus ombros o lençol, que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol, quando depois do sol não vem mais nada..."
                                                  David Mourão-Ferreira


Laços e Abraços

O que fazer com essa ternura amarrotada
logo após o amanhecer de um novo dia,
sob a temperatura fria e talvez desavisada
do meu cachecol sem a tua galhardia.

Há sobras de carinhos na nossa moradia
insinuando que o amor quentinho sonha
nossos abraços envoltos de desejo e ousadia
entre o ardor que por instantes proponha:

Que eu encontre a sede da tua boca calorosa
feito sol a repousar sobre a geada do inverno
aplacando os silêncios da nossa casa amorosa

E então recolha em teus braços minha espera,
como quem encontra a estação há muito adormecida,
fazendo florescer os laços que em nós ainda impera.

Vilma Orzari Piva
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terça-feira, 2 de junho de 2026

Pretexto para a Lua


Pretexto para a Lua


Eu em ti é o mais belo pretexto
para a lua brilhar de contentamento
e clarear a noite do nosso contexto
num doce suspiro de puro alento.

E a noite se faz amena, sonhadora,
como se fosse a primeira luz
de um clarão a vislumbrar a aurora
entre estrelas que no céu nos reluz.

E tu és o maduro pensamento e a razão
refletindo em meu ser como estrela consentida,
harmonizando meus passos em acordes da paixão.

Por isso a noite se veste de esperança cativa
e a lua amplia a nossa história entrelaçada,
como néctar do amor em reflexos de vida.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Melodia Secreta


" Amor e paixão, eis a condição para se viver a essência da vida."
Vilma Orzari Pva

Melodia Secreta

Esse canto ao longe foi se perdendo pela imensidão
diluindo meus olhos nas águas sonoras dos versos
ao ouvir  ecos que reverberam  frases em meu coração,
 na luz de amor e da paixão,  juntos sonhando imersos.

E na essência da noite solitária os sons ganharam alturas
tal e qual um grito destacando-se na pauta do silêncio
à procura das carícias das tuas mãos em partituras
de horizontes e sentires que em ti muito reverencio.

Pois há em teu universo uma melodia secreta
que atravessa minhas noites como um sopro divinal,
despertando em meus sentidos a ternura mais completa.

E no fundo da noite onde teu canto ainda me alcança,
permaneço entre versos e silêncios enternecida,
feito melodia viva : o meu amor não descansa.

Vilma Orzari Piva
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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Gosto de Maçã



Gosto de Maçã

Enquanto o sol aquecia o frio da manhã
desatei meus pensamentos em ti, e fiei
as horas de saudade no gosto da maçã
que na minha boca adoçastes e me vicei.

E entre os sabores deixados na mesa posta
amadurecia a polpa do meu desejo
como fruto que o tempo ainda encosta
aos meus lábios sedentos do teu beijo.

E quase pude sentir um rumor de ternura
escorrendo lento em meus pensamentos,
quase perdidos entre a febre e a doçura.

Revolvendo em mim o calor das memórias,
as mordidas de infinitos sonhos que intensos
aplacam a fome das vertigens em trajetórias
mantendo vivos nossos abismos acesos.


Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Fronteira

 
Fronteira

Cá estou na fronteira de um bem querer
diante das tentativas poéticas dos versos
espelhando -me impressões a discorrer
à sombra do meu eu quase submerso.

E respiro profundamente essa tua voz
que sabe me encontrar entre sombras,
luzes, sonhos, desejos marcados em nós
para retornar as quimeras das penumbras.

Sinto um rumor de auroras pressentidas
que devolvem ao peito o fulgor do recomeço,
como flores tardias após noites perdidas.

Pois teu nome ainda vibra no fundo do meu ser,
como um canto  nas dobras da madrugada
ressoando em  versos o que não mais  quero deter.

E se caminho entre abismos por ti
é porque o amor é a chama que me aquece.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®




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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Mãe - Lembrar Você


 

Mãe - Lembrar você


Lembrar você no seu colo de afetos
É querer outra vez ser sua criança,
Ter a benção de seus acalentos
Dormir o sono solto da confiança.

Lembrar você é lembrar dias de alegrias
Com gosto de bolo e café cheiroso,
Dos prazeres à mesa,doçuras dos dias,
No bem real do amor mais que valioso.

Lembrar você é lembrar da roupa nova,
Das suas costuras nos meus vestidos,
Da batida da máquina que fez prova
Em babadinhos e bordados coloridos.

Da roupa lavada, do branco na alvura,
Dos varais ao sol e do vento no quintal.
Lembro-te na lida em qualquer altura
Da hora do dia, sempre pronta, divinal.

Lembrar você é revisitar nossa casa,
Nossa morada de tantas felicidades
Onde beijo a lágrima que extravasa
O amor que sinto por ti, minha mãe. 
Saudades!!

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Meu Abrigo


Meu Abrigo 

Tu és a luz que sonhei em meu caminho
o pedaço da ternura do meu mais doce desejo
e o encanto de um dia ensolarado, inteirinho
como fosse um brinde ao dia em que te vejo.

Assim levo-te comigo entre a paixão e o amor,
entre as salivas das palavras que umedecem meus lábios
ao sabor da fruta madura que me ofereceste na dor
de um adeus incontrolável a molhar meus cílios.

Talvez o vento mude a direção e uma porta se abrirá,
embora  tarde, haverá tempo para que fiques sem alardes
somente ouvindo o teu coração e no que ele te dirá.

E se em nós ainda houver abrigo para o que fomos,
será no silêncio que o amor há de nos querer enfim,
como quem volta sem pressa ao lugar de onde partimos.

Vilma Orzari Piva
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Fragmentos de Mim



Fragmentos de Mim

Sem você não sou mais a mesma...

Nada me abraça quando a dor não dorme,
e reviro-me em questões que não sei responder
sobre o tempo, sobre o amor ou sobre sonhos.

E o silêncio respira insistentemente o teu nome,
enquanto nas paredes dançam sombras passadas
que hoje me ignoram como roteiro de filme antigo.

Sem você não sou mais a mesma...

Meus motivos se dissolvem nas incertezas do que sei,
e a solidão insiste em me seguir, sombreando-me
entre claros e escuros, num rito de aproximação.

Nada reluz quando a dor da ausência não passa;
fico opaca, fragmentada, tateando ao vento
vestígios do que ainda arde em nossos silêncios.

Sem você não sou mais a mesma...
— desaprendi de mim no instante em que partiste.

Vilma Orzari Piva
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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Depois da Leitura



Depois da Leitura

Depois da leitura a luz reincide
sobre as rosas cálidas.

Em pano de fundo
desdobra o tempo na vidraça.

No silencio uma brisa suave
acaricia minha pele ...

Sob meus olhares... a vigília dos dias,
entre espaços, no templo das paredes,
a solidão sussurra tua voz
companheira dos meus sentires.

E te sei mistério em meus sonhos 
entre a dor e a alegria sob um céu radioso
que entrelaça nossos  fôlegos na caminhada.

Teus versos me despertam vontades,
verdadeiros licores para minha boca
de abismos e ternuras.
No entanto  meus lábios rebelam-se 
no rubro ausente da minha taça.

Vilma Orzari Piva
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domingo, 15 de março de 2026

Fio de Luz



FIO DE LUZ

Não te chamo, deixo o tempo dizer
o que minhas mãos já sabem calar.
O amor aprende a ficar inteiro
quando aceita não se anunciar.

Há dias em que te penso sem dor,
como quem guarda um lume discreto.
Não arde, não some, não faz rumor,
apenas existe, resiste exato.

Não peço sinais, nem regressos.
O que houve vive no belo que ficou.
Entre o ontem e o que não confesso,
há um fio de luz que não se apagou.

Mas eu sei que chegou a hora
de seguir inteira , altiva enfim.
O amor não parte nem se demora:
ele aprendeu a morar em mim.

Vilma Orzari Piva
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quarta-feira, 4 de março de 2026

Estação Outonal


Estação Outonal

Na cósmica passagem do tempo tenaz,
o outono repousou dias ensolarados
para decantar nosso céu avermelhado
em azul cobalto que hoje se fez lilás.

Folhas caíram ao chão do meu olhar,
à sombra dos murmúrios da paisagem,
entre ramos do cenário a repousar
tingiram- se cores em doce visagem.

Também assim vou me decompondo,
deixando a voz rouca e abafada
à tona da visão solitária, perguntando:

Quando virá nova temporada
despertar nosso amor? Pois te amando
me traduzi em cor e na tua morada.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®



 Ilustração / Imagem Pinterest