
Florescência
Trago um jardim dentro do peito,
tecido de ventos brandos e auroras antigas.
Sou flor que desabrocha no outono,
porque aprendi cedo
que a alma também floresce
quando o mundo esfria.
Sou pétala breve, mas intensa,
um sopro de cor na tarde que declina.
Na minha mão cabem silêncios,
na minha voz, perfumes.
E cada verso que escrevo
é um ramo que recolho da vida.
Meu eu expande, floresce,
carrega a luz que encontro nos detalhes:
um céu que arde, uma lágrima que reluz,
um nome que o horizonte murmura
antes que a noite caia.
Sou mulher-estação,
entre ciclos que voltam e partem;
sou memória plantada,
saudade que viça,
fragrância que insiste
em permanecer sempre viva.
E se me perguntam quem sou,
respondo sem pressa:
sou a pequena essência do amor,
essa força delicada
que me conduz pela poesia
onde tudo germina e floresce.
Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®
Ilustração/ Imagem Pinterest
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