segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Aroma de Café




AROMA DE CAFÉ

De manhã um cafezinho
aquece já ao acordar,
de aroma forte e quentinho
faz a gente se levantar.

No ar fica um doce cheirinho
anunciando o dia despertar,
na mesa o café pretinho
fumegando a te convidar.

Há sabores e há segredos
a cada gole no seu paladar
bebida que se toma  cedo
antes mesmo do sol raiar.

Mais que bebida, companheiro,
esteja só ou com amigos 
em cada xícara um roteiro
feito um abraço e abrigo.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Talvez


Talvez

Não sei se ainda sou o que fui
Sonhando amor em teus braços,
Sentindo toda paixão que flui
Das tuas mãos ao meu encalço.

Não sei se o mel da minha boca
Ainda adoça tua língua de desejo
E afasta essa nostalgia quase louca
Da nossa saliva tesa e sem pejo.

O que sei é que respiro em ti
Todo amor que puder viver,
Aquele que um dia não resisti

Num tremor de arrepio e querer
Em teu peito, quando me despi,
Para amar-te com todo meu prazer.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest


sábado, 8 de agosto de 2026

Poesia é Encontro


Fernando Pessoa

Poesia é Encontro

Fomos alento em  noites questionadoras.
E atravessamos as cores de cada estação,
parte de um pequeno bilhete escrito à mão:
somos sonhos de criações inspiradoras.

Talvez poetas:
o bálsamo para sanar antigas feridas,
um barco que almeja a linha do horizonte
com punhos e remos, desafiando
as correntezas do tempo.

Aprendemos que as palavras
não nascem apenas do traço.
Elas brotam das ausências,
das janelas abertas para o vento,
do perfume da terra depois da chuva,
das cartas incompletas,
das paixões avassaladoras,
e dos silêncios que insistem em permanecer.

Cada verso se fez um abrigo,
cada metáfora, uma ponte
lançada sobre os abismos
que a vida insistia em cavar.

Houve dias
em que bastava uma única palavra
para devolver sentido ao mundo.
Assim descobrimos
que a poesia também é encontro.

E encontram-se porque reconhecem
um no outro a mesma sede de infinito,
a mesma delicada esperança 
de transformar a vida em permanência.

E a poesia mora no espaço invisível,
na pausa entre duas respirações,
na confiança de entregar um verso
sem medo de ser compreendido.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest