terça-feira, 30 de setembro de 2025

Vidraça do Tempo


Vidraça do Tempo

Como lâmina invisível teus ecos cortam meu universo
De sentires profundos e reconheces o sal dos meus gritos
Na vidraça do tempo entre fragmentos do meu eu submerso
A cada porta aberta de minha alma em que tu fostes inscrito.

Talvez o amor seja essa asa ferida entre a prisão e a liberdade,
Revestida dessa estranha essência ao gerar emoções
De transcendência, indagações, profundezas e sensiblidade,
E perceber-se liberta para revelar-te em minhas inundações.

E se do amor floresce a seiva do instante, a paixão é o ardor
Frente ao abismo da solidão que também nasce em poesia,
Qual fogo a nos consumir plenos de vertigem e fulgor.

És verbo secreto, és claridade tardia, fogo abrasador
A cicatriz que pulsa, viva, incessante e se revela todo dia
Mistério que em mim abrasa, queima, avassalador.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®

Ilustração/ imagem Pinterest

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Rito Profano




Rito Profano
" Na celebração do desejo o profano é divino."

A noite em teu corpo é pura liturgia
A carne acesa, a chama que me inflama
Oferta entre pernas em pura heresia
Arrebatando-me o beijo que se proclama.

Teu hálito é desejo e tua boca é prece
E em cada beijo o fogo se derrama;
A febre pulsa, molha, e me enaltece,
Brinda o prazer que o desejo reclama.

Sou rito profano em teu altar ardente,
Sacrílega amante, perdida em loucura,
Entre suspiros meu gozo é incandescente.

E quando em delírio tua pele me guia,
Desfaço-me inteira, nua, bálsamo e cura
Num êxtase insano e teu corpo me sacia.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®

Ilustração/ imagem Pinterest


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Mar de Luzes


Mar de Luzes

Escasso se faz meu tempo, por isso ele me dissolve
Em teu crepúsculo, e leva –me às portas da nostalgia
Revirando meu íntimo em silencio e ainda me envolve
Dos teus passos atentos, letra a letra em poesia.

És viajante no meu destino, o pretexto que amo
Junto da lua mergulhada no teu mar de luzes.
Meu roteiro e motivo na úmida língua que declamo
Sem saber se é dia ou noite em tempos audazes.

E quando me perco nos reflexos da demora
É tua sombra que desponta em claridade
O oxigênio que me refaz além do tempo e agora.

És homem cativo de um sonho que me guia
Colhendo do meu seio a chama que persiste
Em etéreo delírio quase presença e me irradia.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®


Ilustração / Imagem Pinterest

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Clamor de Poesia



Clamor de Poesia

O´ encanto que me tem em doce paladar
saboreando meus sentidos, minha respiração,
querendo-me inteira, devoluta, para em ti estar
em versos, aplacando a fera do desejo e coração.

Mordo cada palavra que tua boca anuncia
e surpreendes-me  ao envenenar de vontades
o tom da minha pele num clamor de poesia
entregue aos ecos que transpiram intensidades.

Talvez seja apenas um fio ardente que resiste
entre cansaços e esperas, qual lume clandestino
apontando o caminho da chama que abriste.

E assim,  em ti eu renasci do meu próprio ser
cicatrizando nossa ausência  que tanto reclamas,
pois és chama bendita que não cessa de arder.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autoriais Reservados ®

Ilustração/ Imagem Pinterest

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Versos em Vigília



 Versos em Vigilia


Apesar de tudo, o silencio não aplaca as lembranças,
elas são presentes, constantes, e assim recorrentes,
transitam entre pensamentos e se fazem pertenças
dos vivos desejos a detalhar-te ainda que ausente.

Apesar de tudo, uma forte saudade  ainda me cobre
e rasga meu peito com  toques sutis, entrecortados
entre o delirio e a oração, entre o soluço que encobre
a noite insone dos meus olhos  tristes, lacrimejados.

Apesar de tudo, vejo-te em sonhos, e eu te anuncio 
com sorriso nos lábios, coração pulsante, braços abertos
como se fora minha liturgia e redenção que sentencio,
na prece secreta, o nosso amor em versos eternos.
 
E nesse tom saudoso, amoroso, os dias passam sem alaridos,
apesar dos gorjeios dos pássaros à sombra dos ipês floridos.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Arrebatamento


Arrebatamento

Embriago-me das setas atiradas
E deixo escorrer os suores etílicos
Das tuas palavras, ontem anunciadas,
Sobre meu alvo pulsante e idílico.

E vens num sonho que atravessa
As brancas paredes do meu quarto
Aproximando-se sem pressa
Da penumbra que contigo reparto.

E retiro do meu ventre a recusa
Dos meus seios o medo e a espera
Para enfim me abrir à tua luz sincera.

E assim, no gesto onde o corpo repousa
Sou tua, sem véus, em febre e ventura,
Rendida em ti, ao desejo e a loucura.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Beijo da Manhã



Beijo da Manhã

De prazer e amor são os apaixonados
No beijo da noite e no sorriso da manhã.
São dois corações felizes, compartilhados,
Por momentos febris com gosto de maçã.

No lençol da manhã, ainda mora o desejo,
Entre suspiros e migalhas de paixão.
Olhares sussurram segredos num beijo
E os corpos florescem na mesma canção.

O vento do inverno carrega promessas,
Num abraço quente para se aconchegar.
A cada gesto tudo se enlaça e recomeça
No prazer dos amantes a se entregar.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Beijo da Noite



 Beijo da Noite

A paz que desce sobre a noite cresta ondas de ternuras sobre minha alma morena. 

Lustra meus lábios com brilhos ardentes de teus beijos onde as estrelas do céu vem suavemente pousar lumes na minha boca.

Incitam-me piscares sobre os incansáveis campos dos teus dias, desejosos por nós de infinitos prazeres multiplicando-se em beijos na noite.

Instigante, confessas-me que o noturno vem me amar, como só tu saberias me encontrar com a mesma cor em teu olhar, com a igual doçura daquela rosa que deixara ao meu lado para sempre te aguardar....

E não encontro sequer um não que o  retire desse meu colo atordoado,  por entre as seivas das minhas mãos envolvendo-te da minha pele recoberta de confissões e sonhos ansiosos que agora descem pelo corrimão do céu para que eu te enlace desejosa sob o edredon.

 E te quero comovido num profundo respirar em meus sentidos. E te aqueço do frio do inverno nas mantas do meu amor, pois teu corpo de loucuras e vertigens cingem-me das baladas que entorpecem as gravuras desenhadas na cabeceira da nossa cama desalinhada.

Rastreiam-me arrepios pela espinha, comprimindo os ares quentes dos becos sem saídas magnetizando teu tórax sobre meu ventre.

Transbordo-te num mar noturno sem salvação, náufraga no teu aconchego ao eternizar o calor dos lençóis e da noite arfante aos nossos ouvidos em delicias de amor.

 És meu louco do bem, entre céus e infernos, verões e invernos, borrascas e brisas, planícies e precipícios, águas marinhas e cachoeiras.

 Tu és o arquiteto do meu solo e o subsolo desse meu amor por ti.

E te elevo por ondas e desfiladeiros, pois ardiloso, 

bem sabes que és meu doce mar e toda essa minha inundação....

 Meu louco ! Meu prazer !


Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®


Ilustração / Imagem Pinterest

terça-feira, 1 de julho de 2025

Linguagem do Coração



Linguagem do Coração

Existem vozes que me levam a pensar
Que o amor renasce dentro do poema
E toda palavra se estende ao linguajar
De um coração sem qualquer estratagema.

É apenas coração pulsante, fervoroso,
Decifrando sinais para sua concepção
Ao refletir dogmas do tempo amoroso
Quase intangivel para sua transcrição.

E assim, me deixo guiar por entre os versos,
Onde o amor se revela em forma e essência,
Desatando os laços mais controversos
Num rito íntimo de pura reverência.

Pois há na poesia uma luz escondida,
Que do amor faz morada e argumento,
E ao nomeá-lo, devolve-lhe a vida
Como sopro etéreo do sentimento.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

sábado, 21 de junho de 2025

Minha Rua



Ilustração / I A

" Minha rua tinha casas brancas e coloridas
todas com uma área de varanda na frente
com mureta para apreciar o tempo e a vida." 
Vilma Orzari Piva


Minha Rua

A minha rua era cheia de crianças,
de todas as idades, tudo misturado.
Havia brincadeiras nas tardanças,
sem qualquer perigo no asfaltado.

Meninos com bolinhas de gude
jogavam no triângulo já riscado,
as meninas brincando com atitude,
saltando amarelinha, bem arriscado.

Ainda jogavam bola, drible e golzinho,
matança, pular corda e balança caixão,
muita correria no pega-pega, ou sozinho
no esconde-esconde, polícia e ladrão.

Era uma rua plena de vozerio e alegrias,
e nas calçadas, as pedras portuguesas
sabiam dos passos e das boas parcerias,
e do cheirinho dos quitutes sobre as mesas.

Minha rua não temia o passar das horas,
pois cada tarde era eternizada em harmonias.
Hoje mora, ali, o tempo das memórias d’outrora,
e da infância viva debruçada em belas cercanias. 

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®



Obs  * Brincadeiras de crianças citadas na poesia  
       nem sempre conhecidas:
* Matança - essa brincadeira equivale ao jogo de "Queimada"
* Balança Caixão - uma variação do esconde-esconde