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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Pai


PAI

Do teu rosto
Quanto me lembro....
Daquelas marcas na testa
franzindo teu semblante,
num misto de austeridade
tantas vezes tão breve, passageira,
suavizada por tua bondade.

Da tua voz
quanto me lembro...
Chamando- me “minha filhinha”
entre carinhos e reprimendas
explicando-me o certo e o errado
ou ensinando-me as horas
orgulhoso de seu relógio de bolso.

Das tuas mãos,
saudosa me lembro...
Dos desenhos que fiz seguindo
o caminho das veias azuladas de labutas,
naquela jovem mão calejada da enxada
e das cordas que guiavam animais
desde sua tenra idade ao sol do trabalho.

Dos teus passos...
Quanto me lembro
daquele pisar forte
chegando às tardinhas
de passos já cansados
chamando-nos à sua volta
conferindo o hoje de cada um,
pedindo nossas escolhas
para passeio no domingo, depois da missa.

Ah...e tua espontaneidade
naqueles passos abrindo o baile
com desenvoltura dançando
arrasta-pé, catira e valsa!

E quanto me lembro
daquele carinho recheado
de alegria e aconchego ao cair da noite,
junto dos filhos contando estórias e histórias,
esperando o nosso sono chegar com sua benção
para depois dormir no sossego do merecido repouso...


Ah... Meu querido Pai!
Quanta saudade!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Trigais do Amor

Trigal - Eliseu Visconti - Coleção Particular

TRIGAIS DO AMOR

O amor é mais durável que minha face
Frágil nesse momento que caminho
Semeando trigais para ser moinho,
Como se eu, grão de trigo, o alimentasse.

O amor é a roda viva dourada
Que trago em meus braços de heras
Galgando degraus onde as esperas
Germinam ramos de viver abraçada.

O amor é roda d´agua, irrigada,
No rumor do riso das venturas,
Colorindo a semente lançada.

Ele é fonte de purezas e ternuras
Nas asas que emprestam-me perfumadas
De flores em jarros de loucuras.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 6 de agosto de 2011

Rito da Lua


RITO DA LUA

O´ lua de prata, papisa do céu,
Vem chover seus raios como cascatas
Sobre esse inverno que se fez incréu
De seus mantos quentes de cantatas.

Inunda de luzes minha cabana
E aqueça meu pequeno mundaréu
Feito de beijos para meu amado
Na lareira do amor em fogaréu.

Celebre em minha boca o rito
Do beijo penitente para amar
Uma vez mais o peito contrito,

Amado, que ao longe o vi nevar
Enamorado da fria noite, aflito,
por tuas luzes querendo-nos beijar.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Cantante Amor


CANTANTE AMOR

Ouço o canto do teu peito aberto
trazendo amor que me encanta
em verso e prosa o que suplanta
a distancia na tua voz bem perto!

Além do teu belo coração liberto
ouço a dádiva de ser um sonho
de amor cantante, qual exponho
às baladas do teu amor tão certo!

À luz da ribalta, palco do coração,
de tantos sentires que em mim
retirei os espinhos para enfim
beijar-te amando a tua canção!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sorriso


SORRISO


A vida se faz
na graça do sorriso.
- Eu improviso!
*
Só um sorriso
suaviza a tristeza.
- Sorrir traz o bem.

*
Todo sorriso
 é magia, som da alegria.
 Felicidade!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre Imagens Poéticas



Assim são as imagens poéticas:

Elas têm o poder de ir lá no fundo da alma

onde moram os esquecimentos

e quando um desses esquecimentos acorda,

a gente sente uma estremeção no corpo.

Essa é a missão da poesia:

Recuperar os pedaços perdidos de nós!

 

Rubem Alves
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 30 de julho de 2011

Lua Bailarina


LUA BAILARINA

Clara lua! Bailarina anunciada
À luz da alegria no horizonte
A brilhar em teus olhos e defronte
Do meu corpo coberto a bailar.

Na voz e música do céu ao luar,
Gira na clara lua nosso bailado,
Entre estrelas nosso gingado
De corpos em luzes a nos inebriar.

Sonhadores dançantes da magia,
Do balé movente em nosso olhar,
No fundo cristalino dessa travessia

Deslizamos do céu ao chão do luar
Entrelaçados da eterna sinfonia:
- Dois corações ao ritmo do amar.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 26 de julho de 2011

Quando você me abraça



QUANDO VOCÊ ME ABRAÇA

Quando você me abraça,
encosto o meu corpo no teu corpo!
Encosto o meu coração no teu coração,
sinto o que nos envolve é sublime, é eterno!

Quando você me abraça,
sinto a doçura do amor e o fogo da paixão!
Meus olhos brilham, sorriem para os teus
na certeza de que para o amor há porto seguro!

Quando você me abraça,
transborda o mar do teu peito para meu mundo!
O céu prenuncia o gozo das chuvas e das aragens
e a natureza entra em cios trazendo-me voragens!


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sou de Lua


SOU DE LUA

*
Tão louca por ti
sou crescente quando vens
-Cresço, floresço.

*


*
Sou louca por ti
inteiramente plena.
-Sou tua lua nova.

*


*
Tão louca por ti,
Quando não vens, me diluo...
- Minguante no céu.

*
Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 19 de julho de 2011

Na Paz Do Teu Amor


NA PAZ DO TEU AMOR

A noite passa por nós docemente
Fitando teu olhar que mirava em mim
A paz lânguida do meu corpo inocente
Depois do amor no teu corpo querubim.

E eu dormia em teus braços, enlaçada
De um amor sem igual, no amor da gente,
Sonhando teus passos na minha calçada
Entregue à paixão de te ter novamente,

Ao raiar da manhã, deixando o sol entrar,
No brilho dos meus olhos frente aos teus,
Sem poder ocultar minha fome de amar

Pratos de pecados teus, junto aos meus
Afogueados rubores a te chamar:
- Meu homem eleito, amor dos seios meus!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Delícias dos Instantes


DELÍCIAS DOS INSTANTES

Aos ventos murmurantes debrucei
meu amor, aos teus braços de aconchegos,
da minha boca os beijos que te dei,
abraçada ao teu corpo de chamegos!

Delicias que ditaram meus momentos
ao nos restar romances sem resguardos,
embalados na vaga voz dos ventos
que varreram as vozes dos pecados.

Volto a te amar deliciosamente,
acampada no corpo de nós dois,
no leito lasso do amor da gente!

Enquanto amamos lesto e lentamente,
vamos vivendo a vida sem depois,
vamos vivendo instantes, simplesmente!

Vilma Piva
e
Odir Milanez da Cunha
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 12 de julho de 2011

Improviso




IMPROVISO

Quando a noite sorri
Nos acesos olhos da lua
Conspira à minha revelia
A luz dessa supremacia
E faz-se o riso da minha rua.

Brincante, vem nos meus lábios
Enfeitar a solidão de risos,
Risos esquecidos das horas
Sem tempo de ir embora
Nesse duro chão que eu piso.

Sorri em minha boca
Amigos e paragens,
O luar, o piano e violão
O amor em noturna visão
E o riso do poeta em miragens.

E sorrimos em rimas,
Arrimos de sorrisos
Que sorriem num chiste
Por saber que o riso existe
Sorrindo risos de improvisos.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

domingo, 10 de julho de 2011

Esperança



 
ESPERANÇA

Sabe o amor qual é a rota
E a paixão sabe do desejo,
Sabe o coração o que brota
Na esperança de um ensejo.

 
Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 5 de julho de 2011

Quero Teu Beijo


QUERO TEU BEIJO

Quero teu beijo de calcar sorrisos
Nas marcas d água da minha boca,
Nele, afogar-me quase sem juízo
Na vontade de ter essa alegria louca.

Quero de volta nosso mundo girar,
Entre lábios nômades do desejo,
Beijar-te, roubar-te o riso de arrepiar
Céus misturados do mesmo ensejo.

Levitar em tua boca o meu batom,
Derreter em tua língua a vivacidade
Ao saborear-te colado nesse tom

De aviso, na face da ansiedade,
Rubra, marcada no tempo em teu dom
De me fazer sorrir felicidade.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®


domingo, 3 de julho de 2011

Amor Latente


AMOR LATENTE

Duas vidas num só destino vivente
É presente dos céus nos caminhos,
Ungidos por favos de carinhos
São sentidos do amor latente.

O tempo não tolhe, nem desbota
O roçar das mãos, o olhar e o beijo,
Nem a ternura de um desejo
Pois o amor amado sempre brota:

De um gesto brando em canduras,
Num bilhete, num mimo no portão,
Numa rosa de pétalas puras.

No murmurar do amor em doçuras,
Na leveza dos corpos na paixão
E no fértil beijo das semeaduras.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®