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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tempo Distante - Carro de Boi


TEMPO DISTANTE
[Carro de Boi]

Um carro de boi
À beira de uma estrada...
Hoje asfaltada.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Cerejeira



CEREJEIRA


Da margem do rio
a natureza sorri
em flores róseas.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Lembranças

Obra de Gary Benfield


LEMBRANÇAS

Ele, a quem eu amava nas tardes das esperas
Chegava na noite acendendo meu olhar
Com a rara beleza de enlevar meu sonhar
Pelos campos floridos das primaveras.

Ele, a quem a lua me disse e confidenciara
Suas cheias, seus quartos e as crescentes
De um amor sem igual, sem minguantes,
Avisando-me que esse amor é, está, e aqui ficara!

Talvez porque fomos feitos de almas escolhidas,
Talvez porque não sabemos amar às escondidas,
Talvez porque a coesão uniu querências esquecidas...

Sempre, sempre me recordo dos teus golpes de amor
Tombando meu coração refém em teu clamor!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Reflorir



REFLORIR

Hoje preciso de uma janela clara
Que leve meu olhar para o jardim
Só prá ver o sol nascer em mim
Feito flor que desabrocha a sorrir
Para um dia acordado de pássaros,
Borboletas coloridas ao vento
Ao som das revoadas de asas
Para encantar o meu reflorir.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Opaca Noite



OPACA NOITE

A nostalgia fere o suspiro azul
Desprendendo do céu fragmentos
De uma lua pálida em lamentos
Desbotando-se em dores ao sul.

A vagar desalentos entardecidos
No peito que se fizera amor cativo
De febres ao sol,ainda que fugitivo,
Transcendiam abraços estendidos.

No sopro amante daquele instante
Onde enfim minha dor soubera
Do triste aceno que tão semelhante

À opaca noite que ontem se fizera,
Ardil de amor, na lágrima murmurante
Descolorindo minha face à tua espera.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

ELE


ELE - Rondel XV -

Ele, desbotado por outros beijos,
Não sabe do teor da minha boca
Amorosa, sabendo-te meu desejo,
Hoje avivado por uma lágrima tôsca.

Talvez nem saiba dos meus ensejos
Nem das verdades da língua louca.
Ele, desbotado por outros beijos,
Não sabe do teor da minha boca.

Desgastou-se o que era sobejo!
Coube-me descolorir, ser rouca,
E chorar o que há muito marejo
Naquela boca tornando-me fôsca,
Ele, desbotado por outros beijos.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Sonho à Dois


SONHO À DOIS - Rondel XIV -

Num sonho nosso que à dois lateja
Debaixo de nossas línguas de delícias
Traçando entre dentes o que sobeja
O íntimo do nosso arroubo em carícias.

À sós, debaixo do sonho que corteja
O assalto de nossas roupas em perícias,
Num sonho nosso que à dois lateja
Debaixo de nossas línguas de delícias.

Sonhar bem do nosso jeito. Assim seja
Na varanda, no quarto, na ala vitalícia,
Só nós dois, somente no que se deseja
Só nosso, se acerto ou erro em felícias
Num sonho nosso que à dois lateja!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Caleidoscópio


CALEIDOSCÓPIO

Descansando fardos e mãos
Aos pés dos rochedos dos dias,
Mergulhei no peso das ausências
Sobrepostos no prumo da ilusão.

Bem ali desembrulhei meu rosto,
Asfixiado, pondo em fuga os ares
Das fitas que liberam o claustro
Do Abril de meus sonhos em cores.

E de braços abertos respirei cartas
Penduradas no cimo do horizonte,
Num caleidoscópio de tintas fartas
A compor-me egressa na tua fronte.

Sem que saibam ventos a esmos
No mosaico da tua boca a paixão,
Todo meu alívio, ainda que os mesmos
Neguem-me vinhos de teu coração.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estagnação


ESTAGNAÇÃO

Desce a vida sem os sentidos de outrora
E a estagnação é nevoenta na noite escura
Embaçando horas foscas, cinzas do agora,
Quando a vida dita verbos dizendo-lhe não.

Alegrias se calam com sabor de decepção
No breu da boca da noite fria, descolorida,
Sem os sonhos repaginados de uma ilusão
Quando a vida dita verbos dizendo-lhe não.

Melancólicas agonias adormecem no vazio
Das mãos ao relento sem que se acelerem
Sonhos de um suspiro no marasmo que fere,
Quando a vida dita verbos dizendo-lhe não.

Letárgico coração. Real é a descrença e a visão
Que cortante sangra os pulsos de um coração
Quando a vida dita verbos dizendo-lhe não.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Se Houver Amanhã


SE HOUVER AMANHÃ

Se houver amanhã
A lua fincará minhas mãos
Num sopro de silencio
Sobre a terra levantada.

E verterão estrelas em amiúdes
Na noite escura dos meus olhos
À primeira luz derramada
No corpo do fascínio
E na jugular da paixão.

E o mundo se fará em nós dois
Em êxtases de garras consteladas,
Num supremo instante de fulgor,
Na língua do inverno em erupção
E na vertigem dos meus dedos
No teu peito de luz, mar e verão.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Haicai- À Beira do Rio


*
Dos pés molhados
pensamentos navegam_
flor d´agua do rio.

*
Rio silencioso
por entre o verde das matas
Agradece a Deus.

*
Na beira do rio 
brinca na água furtada
 pés de remanso.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Estrela Cadente



ESTRELA CADENTE

A noite passou e ninguém viu
Uma estrela cadente no céu,
Por um breve instante ao léu
Emigrando do ponto que surgiu.

Num piscar de reta cintilante
Houvera em meus olhos a fração
Do universo, movimento- ação
Desprendendo-se faiscante.

Força e luz da órbita celeste
Na varanda dos meus cílios
Fragmentando-se em desvarios,
Curvados na paz que me veste.

A noite passou e ninguém viu....
O cenário cintilar que comigo partiu....

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Rota da Luz


 
ROTA DA LUZ

Me perdi no vôo solo, elevada,
Quando nuvens apagaram rastros
De um arco-íris no porta retratos
Daquela tarde de asas ao nada.

E ali pousei meu concreto cansaço
Entre o branco e preto da estiagem
Querendo revoadas na passagem
Em azulados sonhos a cada passo.

E sonhei no cosmo com teu abraço
Escrevi no céu meu doce aconchego
E sobrevoei bem perto do chamego
Das tuas asas que me faziam encalços.

E pairas sobre mim em volteios
Colorindo as esperas, me induz
Ao centro do desejo, nossa luz,
Iluminados de amor e gorjeios.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Albatroz


ALBATROZ

Sutilmente digo que ouço tua voz
Nos murmúrios do meu coração,
Impulsionada por pura emoção
A voejar junto de ti, meu albatroz.

 
Deixo-me embalar no crescente,
Na pressa das nuvens azuis- liláses
Equalizando sons em vôo de ases
Permitindo meu mundo continente.

E singro o teu amor de tal envergadura
Em mergulhos imersos no ar e no mar,
Rasgo cortinas de ternuras a me guiar
E não resisto ao príncipe das alturas,

Errante, liberto, solitário a declamar
Aos meus ouvidos tua poesia de amar.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ausência



"A ausência diminui
as paixões medíocres
e aumenta as grandes,
como o vento apaga as velas
e atiça as fogueiras."



 Machado de Assis
Direitos Autorais Reservados ®