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sábado, 11 de julho de 2015

Sedução


Sedução

Quando as manhãs espalham cores
Revelando-me o tom do sensual
Que colorem meus lábios de sabores,
Sinto reaver o teu gosto inaugural.

A cada passo,  a cada olhar
Despe-me e veste-me celeste
Em sedas e cetins a enfeitar
Cordões na minha cintura agreste.

E o vento levanta meus cabelos,
Acenam ao teu peito e ao meu calor
Com lufadas que me eriçam ao vê-lo

Debruçado ao decote sedutor
Dos meus lábios, que sem rogo e apelo
Embebe meus versos em teu amor.

Vilma Piva 
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 7 de julho de 2015

Caleidoscópio


Tela de Irina Karkabi


CALEIDOSCÓPIO

Descansando fardos e mãos
Aos pés dos rochedos os dias,
Mergulhei no peso das ausências
Sobrepostos no prumo da ilusão.

Bem ali desembrulhei meu rosto,
Asfixiado, pondo em fuga os ares
Das fitas que liberam o claustro
Do riso de meus sonhos em cores.

E de braços abertos respirei cartas
Dependuradas no cimo do horizonte
Num caleidoscópio de tintas fartas
A compor-me egressa na tua fronte.

Sem que saibam os ventos a esmos
No mosaico da tua boca a paixão
Todo meu alívio, ainda que os mesmos
Neguem-me vinhos de teu coração.




Vilma Piva 
Direitos Autorais Reservados ®

domingo, 5 de julho de 2015

Paixão de Viver




PAIXÃO DE VIVER

O teu beijo no meu beijo derradeiro
Desperta-nos deuses do amanhecer.
Amantes encantados por inteiro
E enlaçados pela paixão de viver.

Sob marcas dos lençóis amarrotados
Onde guardam carícias de endoidecer
Nossos corpos mágicos e acariciados
Novamente se aquecem ao alvorecer.

E eu, lado à lado, amante do teu peito
Respiro o sonho da noite à luz do dia
Com teu cheiro impregnado, satisfeito,

Atiçando-me tigresa em selvagem euforia
Na tua pele lanhada, alvoraçada ao feito
De sermos amantes ao sol da alforria!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 4 de julho de 2015

Além da Janela



 ALÉM DA JANELA

Além  da janela,  onde pousei  meu beijo
Com gosto de cereja, hibernavam sombras
Solitárias que roubaram os desejos
De nos verem acordados em assombros.

Assim tropecei no vazio, e respirei
O vento frio que cantava o inverno
No meu corpo e nas mãos que desbotei
Em versos, sem saber do teu rosto terno.

Hoje  minha voz ronda teu travesseiro
Delineia teu peito posto em desafio
Preenche  tuas marcas de companheiro
E abraça teu corpo sem medo do vazio.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Desejos



DESEJOS

Capturar a lua com a rede dos desejos
trazê-la para perto da nossa rua de cores
trançar seus fios de prata em mil beijos
e ver nossa noite iluminada de amores.

Deixar-se guiar pelo condão dos sonhos,
alcançar o infinito de nossas moradas
para além das estrelas onde suponho
flores na janela, por ti tão perfumadas.

Envolver-nos de amor exuberado
em fragrâncias de rosas e jasmins
e deixar-se lânguidos, abraçados,

 sob a lua branca ao som de bandolins
os nossos corações apaixonados,
eternizados em nossos folhetins.



Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®


sábado, 16 de maio de 2015

Viagem Lírica




VIAGEM LÍRICA

Depois de apascentar o dia
sem belezas de arco-íris,
vislumbro  meu rosto claro
sobre a rosa dos ventos
concedendo-me o lírico
alento, por momentos,
a fuga, o voo, o refúgio
na trama dos sonhos.

E viajo espaços lilases
onde reconheço o amor
e os delírios das noites
que enluaram  palavras
 na mandala dos sonhos  
e me fazem flutuar,
 cavalgar nuvens.



Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Arco-Íris







ARCO-ÍRIS


Um belo arco-íris no céu
ilumina e matiza as cores
das mil flores no jardim
e nada mais fica ao léu ! 



Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®




quarta-feira, 25 de março de 2015

Amor Imorredouro



Amor Imorredouro

Não morre o amor que se tivera
Entre os braços de uma  paixão.
Tampouco o amor que houvera
Entre sorrisos e algum perdão.

Não morre o amor dentro do peito,
Nem as batidas de uma espera
Compassando assim:  tempo e feito,
Em lembranças onde se estivera.

O amor permanece imorredouro,  
Imutável , permanente, intocável,
Intacto  porto  ancoradouro.

Não morre o sentimento inefável
Nas rotas da pele em respiradouro.
É vivo esse amor inabalável!


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Meu Deserto




MEU DESERTO

Rondel -  XXXII

Quando a noite fria invade meus sentires
E o vento assobia uma canção triste no ar
A noite vem escura sem quaisquer cingires
Adentrando as paredes brancas do pensar.

Caminha a escuridão da noite em vagires,
Pé ante pé sobre as lânguidas areias do luar
Quando a noite fria invade meus sentires
E o vento assobia uma canção triste no ar.

Transponho meu deserto em refletires
E nada mais me espelha ou vem falar
Silenciando meu oásis  sem mais pedires,
Morre nesse instante  todo sonhar
Quando a noite fria invade meus sentires.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Infindo Mar

INFINDO MAR

Quis o mar tragar meus braços,
levar minhas mãos em conchas
e arrancar dos meus sargaços
lamentos que me fizeram troncha.

Resisti à grande onda, dela emergi
para o sol de um novo dia remador
sobre um mar dourado onde vivi
meu sonho estelar de puro amor.

Busquei a areia, tropecei nos cacos,
revirei meu tudo, achei teus passos
marcados, crivados nos meus nacos
de paixão na praia dos meus abraços.

Ah... tormenta de bravia queimadura,
Sigo em ti abraçando-te minha paz
De infindo mar, voz que entre corais
Mareias-me espumas de viva criatura.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Poeta Manoel de Barros




Poeta Manoel de Barros

O poeta queria mesmo ser *fraseador
Dos mundos das coisas e miudezas.
Queria o que sentia um palavreador
Durante a busca das singelezas.

Ele tinha um caso com a palavra.
Desde muito cedo via belezas
Que se juntavam à sua lavra
Como pedras em suas purezas.

Ouvia nas conchas sons do mundo
E via o rastejar das lesmas no chão,
Fazia de conta que o sapo rotundo
Era boi e viajava de sela no sapão.

Pensava na garça branca de brejo
Mais linda que uma nave espacial.
Era da roça, do chão sertanejo,
E voava com pássaros do pantanal!

Vilma Piva 
Direitos Autorais Reservados ®


NOTA- * Fraseador- O Poeta Manoel de Barros fez essa 
referência a si mesmo no livro Memórias Inventadas - A Infância-

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Amor Não É Assim



O AMOR NÃO É ASSIM

O amor não é assim como se pensa
Na juventude louca, provando
Do amor a dois e de experiências
Em busca do incrível, só ficando.

O amor não é assim como se pensa
Cada vez que ele tira o nosso ar
Até à primeira vista há diferenças
Entre tempos para se amar.

O amor não é assim como se pensa
Perfeito, entre um sorriso e outro
Se não existe iguais ou  licença
Para gostar dos gostos  d´outro.

O amor não é assim como se pensa
Só doces sonhos e expectativas.
Há dias de bonança  e desavença
E a vida a dois tem que ser criativa.

O amor não é assim como se pensa....
Se perto, sempre poderia ser melhor,
Se longe, a distância é a sua sentença,
Mas sem afinidades não há nada pior.

Ainda assim, do amor não adianta fugir,
ele sempre habita um coração acolhedor
Que tudo espera, ama, sofre e tudo crê!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

II - A ESTRADA - Do Universo de Manoel de Barros




A Estrada
[Caso de Amor]

Estrada deserta por abandono
Melhora se vou por ela sozinho
Andando só desde pequeno
Vou e volto nela com carinho.

Sobre suas pedras ou no entorno
Ninguém mais passa por esse caminho
Imagino que ela pensa sem adorno,
Igual a ela, eu estou acabadinho.

Aqui, bandos de caititus passavam,
Cavalos agora raramente vem,
Nem emas, nem cachorros passam por nós.

Numa boa, ensino a ela solidão
Das coisas que vão desparecendo,
Dizendo: - essa é a conduta, amor,

Igual ao filme de Carlitos com fome,
No final da estrada também ele some...

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

I - A Lata - Do Universo de Manoel de Barros -




A LATA

Miudezas transitam lá no quintal
Sobre uma lata enferrujada
Esquecida num canto, jogada,
Rodeada por musgo, limo banal.

É ali, desde o orvalho matinal,
O pouso dos caracóis em noitadas
Que rastejantes abrem estradas
Com suas barrigas pelo matagal.

Um mundo à parte lá no quintal
Onde a lata é cortejada
Por môscas em escaladas vivas.

E orgulhosa de ser quase imortal,
De nas ruas não mais ser chutada,
Cria raízes em estágios de poesias.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 24 de janeiro de 2015

Náufragos



NÁUFRAGOS

Naveguemos nossos corpos em marulhos
Sobre o mar desejoso de nossas peles
Aquecidos do frio e chuva em fagulhos
Nas águas do amor para que nos sele.

Tuas mãos singram águas transparentes
No mar do meu corpo em mergulhos
Nadam do colo ao ventre, urgentes,
E eu abaixo do teu umbigo, patrulho.

Cada toque energizamos correntes
Liberando profundezas em atos
Úmidos náufragos confidentes

Dos oceanos que nos banham de fato
Em ondas sequenciais, excitantes,
De gozosos deságues insensatos.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®