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quarta-feira, 25 de março de 2015

Amor Imorredouro



Amor Imorredouro

Não morre o amor que se tivera
Entre os braços de uma  paixão.
Tampouco o amor que houvera
Entre sorrisos e algum perdão.

Não morre o amor dentro do peito,
Nem as batidas de uma espera
Compassando assim:  tempo e feito,
Em lembranças onde se estivera.

O amor permanece imorredouro,  
Imutável , permanente, intocável,
Intacto  porto  ancoradouro.

Não morre o sentimento inefável
Nas rotas da pele em respiradouro.
É vivo esse amor inabalável!


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Meu Deserto




MEU DESERTO

Rondel -  XXXII

Quando a noite fria invade meus sentires
E o vento assobia uma canção triste no ar
A noite vem escura sem quaisquer cingires
Adentrando as paredes brancas do pensar.

Caminha a escuridão da noite em vagires,
Pé ante pé sobre as lânguidas areias do luar
Quando a noite fria invade meus sentires
E o vento assobia uma canção triste no ar.

Transponho meu deserto em refletires
E nada mais me espelha ou vem falar
Silenciando meu oásis  sem mais pedires,
Morre nesse instante  todo sonhar
Quando a noite fria invade meus sentires.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Infindo Mar

INFINDO MAR

Quis o mar tragar meus braços,
levar minhas mãos em conchas
e arrancar dos meus sargaços
lamentos que me fizeram troncha.

Resisti à grande onda, dela emergi
para o sol de um novo dia remador
sobre um mar dourado onde vivi
meu sonho estelar de puro amor.

Busquei a areia, tropecei nos cacos,
revirei meu tudo, achei teus passos
marcados, crivados nos meus nacos
de paixão na praia dos meus abraços.

Ah... tormenta de bravia queimadura,
Sigo em ti abraçando-te minha paz
De infindo mar, voz que entre corais
Mareias-me espumas de viva criatura.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Poeta Manoel de Barros




Poeta Manoel de Barros

O poeta queria mesmo ser *fraseador
Dos mundos das coisas e miudezas.
Queria o que sentia um palavreador
Durante a busca das singelezas.

Ele tinha um caso com a palavra.
Desde muito cedo via belezas
Que se juntavam à sua lavra
Como pedras em suas purezas.

Ouvia nas conchas sons do mundo
E via o rastejar das lesmas no chão,
Fazia de conta que o sapo rotundo
Era boi e viajava de sela no sapão.

Pensava na garça branca de brejo
Mais linda que uma nave espacial.
Era da roça, do chão sertanejo,
E voava com pássaros do pantanal!

Vilma Piva 
Direitos Autorais Reservados ®


NOTA- * Fraseador- O Poeta Manoel de Barros fez essa 
referência a si mesmo no livro Memórias Inventadas - A Infância-

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Amor Não É Assim



O AMOR NÃO É ASSIM

O amor não é assim como se pensa
Na juventude louca, provando
Do amor a dois e de experiências
Em busca do incrível, só ficando.

O amor não é assim como se pensa
Cada vez que ele tira o nosso ar
Até à primeira vista há diferenças
Entre tempos para se amar.

O amor não é assim como se pensa
Perfeito, entre um sorriso e outro
Se não existe iguais ou  licença
Para gostar dos gostos  d´outro.

O amor não é assim como se pensa
Só doces sonhos e expectativas.
Há dias de bonança  e desavença
E a vida a dois tem que ser criativa.

O amor não é assim como se pensa....
Se perto, sempre poderia ser melhor,
Se longe, a distância é a sua sentença,
Mas sem afinidades não há nada pior.

Ainda assim, do amor não adianta fugir,
ele sempre habita um coração acolhedor
Que tudo espera, ama, sofre e tudo crê!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

II - A ESTRADA - Do Universo de Manoel de Barros




A Estrada
[Caso de Amor]

Estrada deserta por abandono
Melhora se vou por ela sozinho
Andando só desde pequeno
Vou e volto nela com carinho.

Sobre suas pedras ou no entorno
Ninguém mais passa por esse caminho
Imagino que ela pensa sem adorno,
Igual a ela, eu estou acabadinho.

Aqui, bandos de caititus passavam,
Cavalos agora raramente vem,
Nem emas, nem cachorros passam por nós.

Numa boa, ensino a ela solidão
Das coisas que vão desparecendo,
Dizendo: - essa é a conduta, amor,

Igual ao filme de Carlitos com fome,
No final da estrada também ele some...

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

I - A Lata - Do Universo de Manoel de Barros -




A LATA

Miudezas transitam lá no quintal
Sobre uma lata enferrujada
Esquecida num canto, jogada,
Rodeada por musgo, limo banal.

É ali, desde o orvalho matinal,
O pouso dos caracóis em noitadas
Que rastejantes abrem estradas
Com suas barrigas pelo matagal.

Um mundo à parte lá no quintal
Onde a lata é cortejada
Por môscas em escaladas vivas.

E orgulhosa de ser quase imortal,
De nas ruas não mais ser chutada,
Cria raízes em estágios de poesias.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 24 de janeiro de 2015

Náufragos



NÁUFRAGOS

Naveguemos nossos corpos em marulhos
Sobre o mar desejoso de nossas peles
Aquecidos do frio e chuva em fagulhos
Nas águas do amor para que nos sele.

Tuas mãos singram águas transparentes
No mar do meu corpo em mergulhos
Nadam do colo ao ventre, urgentes,
E eu abaixo do teu umbigo, patrulho.

Cada toque energizamos correntes
Liberando profundezas em atos
Úmidos náufragos confidentes

Dos oceanos que nos banham de fato
Em ondas sequenciais, excitantes,
De gozosos deságues insensatos.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Labirintos




LABIRINTOS

Labirintos  me levam
ao emaranhado de letras
sinosas,  a procurar teu nome
sobre as águas do mar.

Levam-me por ondas e
pontilhados, tracejando
caminhos pela superfície
até onde eu alcance o sal
que me espraia em espumas
sobre a praia da tua pele.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 17 de janeiro de 2015

Grã Poeta




Homenagem ao Poeta Fernando Cunha Lima
pela marca atingida de seis mil sonetos!!

**********

GRÃ POETA!

Seis mil sonetos em uma só vida
Escritos com verve de esteta
Desde menino fez dessa lida
Estrada em versos e grã poeta!

No silencio da sua pena sentida
Há páginas de luas em cantatas.
Há o amor e o sentido da ferida
O amante e a magia que desatas.

Em pessoa é poesia de vida,
Fernando Cunha lima, o poeta,
Humanista na pura medida

Do seu largo riso na acolhida
Ao alcançar mais um dia de meta
Nas letras que seu coração lapida.

Vilma Piva 
Direitos Autorais Reservados ®






sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Beijo que te beijo


O Beijo que te beijo

O beijo que te beijo, pecador,
É redentor dessa nossa paixão
Ardorosa que queima feito dor
Inquietante sem saber do perdão.

Um beijo que te beija dominador,
Que prende e solta o teu coração
Prá bater mais forte, avassalador,
No céu da minha boca de ilusão.

Beijo-te, ó  amor meu,  conspirador
Desse santo beijo em absolvição
Ao teu peito, molhado, abrasador,
  
Gerado em mim em comprovação
De teu gozo sonhado, arrebatador
Da minha vida. Ó doce missão!  


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

sábado, 3 de janeiro de 2015

Haicais - Saí-Andorinha




SAÍ-ANDORINHA

*
Saí-Andorinha
ao redor das árvores
bicam frutinhas!

*
Saí-Andorinha
com suas cores brilhantes
aparece aos bandos.

*
Saí-Andorinha
escava o barranco
e ali se aninha!


*



Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®


sábado, 27 de dezembro de 2014

Rosas da Paixão


ROSAS DA PAIXÃO

Noite morna de perfumes no ar
e o luar transluz meu coração 
sobre tua janela de vidro.

E eu vislumbro teu vulto
sonhando passos na chegada
Iludida de amor e paixão.

E me demoro sobre teu peito
perfumada de rosas vermelhas
 saudosa daquela noite bem feliz:

Eu, você, uma rosa, um copo d´água,
e nada mais concorrendo com nosso amor,
entre juras, promessas e prazeres!

Saudades!


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Araponga


Araponga

Araponga, pássaro de canto forte
Cantava para todo  quarteirão
Sem se importar com sua sorte
Dentro daquele grande  gaiolão.

Naquele alto grito oficineiro
Quase o ouvido transtorna
Tal batida de um ferreiro
Do martelo na bigorna.

E eu criança quando ali passava
Torcia muito para ele não gritar
Tão estridente que apavorava
Que depressa corria atravessar.

Mas o pássaro só queria cantar
Nas matas, aos bandos, onde voava,
Estar e ficar lá em seu habitat, 
e sem ninguém incomodar.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O Poeta e o Verso




O POETA E O VERSO

O poeta sente o verso que vai (re)nascer.
Respira fundo e aguarda o momento
De compensar as dores do acontecer
Em forma de soneto, lindo rebento!

Prepara o coração e alma prá (re)viver
Toda emoção em puro sentimento
Estende a mão e acolhe o seu dizer
Num balbucio totalmente atento.

E tudo o mais traz belo sentido
Dizendo do amor, paixão e vida
Por caminhos à beira do vivido.

E no peito do poeta escolhido
Há um choro anunciando a vida
E nos braços um soneto parido.

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®