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domingo, 9 de janeiro de 2011

Beija - Flor


BEIJA - FLOR

O sol à pique que escaldava o meio dia com raios abrasadores, mansamente aliviou a soberania de seu calor para que a tarde se fizesse mais amena no cansaço dos rostos que respiravam o abafado dia.

Viera enfim a hora de relaxar, descontrair, de não se importar com uma bola batendo em repiques num corredor de algazarras, de sentir no ar um cheiro bom de café e bolo, de deixar o corpo solto numa música, enquanto as flores dos quintais repartiam belezas refrescantes em balanços displicentes com os varais das roupas ainda penduradas.

Bem nessa horinha descuidada, de repente, a tarde ventou na saia rodada de mil flores pequeninas sobre os pés descalços da mulher, que no quintal descansava num sonho acordado sobre uma página de um livro.

E de súbito, um ruflar intermitente de asas verdes azuladas, brilhantes, coriscantes em levezas de vôos, circundava ventos ligeiros no rosto daquela mulher. Espantou-se com um morno olhar, surpresa, logo se aqueceu, tentando acompanhar o tracejo do caminho que ziguezagueava como flechas disparadas no ar.

Era o vento de um beija-flor em busca do pouso na flor de seu jardim. E seu olhar junto dele ali pousou, desfrutando do colorido das asas que por tantas vezes o viu voejar ao longe, sem que pudesse ver de tão perto o raro tom acetinado de suas penas.

Suspirava a mulher fascinada pela tarde dos deuses que concebiam pequenas alegrias no transbordar da vida arejada, tornando-a mais bonita.

Delicadamente, ela viu o beijo manso do beija-flor, com seu bico fálico no orifício vaginal da flor, sugar o doce néctar que a natureza os contemplou.
E ele pairou, respirou e voltou como se volta num doce pensamento e de novo a beijou.

E a tarde de encantos tremeu nos lábios daquela mulher, por alguns instantes, descobrindo-se no canto da sua boca o gosto maduro de um beijo de amor.

- Que bom que a vida traz umas horinhas descuidadas à flor flechada de verde azulado nas prazerosas tardes de aragens!

Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Um comentário:

  1. Olá Vilma,
    Andei lendo quase todas as suas postagens e adorei essa Prosa, - achei-a soberba! E lhe pergunto: Que tal divulgá-la no Contos e Prosas?
    Um beijo.

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